segunda-feira, 31 de março de 2014

ORIGEM DO MODELO TECNOCRÁTICO DO SISTEMA DE ÔNIBUS COMPLETA 50 ANOS

Pintura padronizada que extingue as identidades visuais das empresas de ônibus em prol de um visual único, variado apenas em poucos detalhes conforme o consórcio ou tipo de serviço ou área de bairros, imposto por prefeituras ou secretarias estaduais de transporte.

Sobrecarga horária de motoristas, que são obrigados a acelerar demais para cumprir os horários das linhas de ônibus, dentro de uma cidade em que cada vez mais o tráfego se congestiona e praticamente se paralisa nos horários de pico.

Corredores expressos para ônibus de BRT que derrubam áreas ambientais, prejudicam o comércio popular e obrigam muitos moradores de comunidades populares a, sob precária indenização, morarem bem longe de onde viviam.

Estes aspectos, além de muito sensacionalismo na compra de ônibus - com ar condicionado, articulados ou com motores possantes - , sem verificar questões como funcionalidade, mostram um modelo de sistema de ônibus que, embora atraente para muita gente, possui raízes nada democráticas.

Quem responder que tais raízes remetem à ditadura militar e ao golpe instaurado em abril de 1964, acertou. Embora muitos acreditem que o modelo tecnocrático de sistema de ônibus e de mobilidade urbana, adotado em cidades como São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Fortaleza e, mais recentemente, no Rio de Janeiro, é "progressista", ele na verdade corresponde ao oposto disso.

A origem se deu em Curitiba, em 1974, através do prefeito de Curitiba, Jaime Lerner. A partir daí, empresas de ônibus deixaram de ter o direito (e o dever) de exibir suas identidades visuais para expor a imagem da prefeitura ou do governo estadual, enquanto autoridades lançavam ônibus "especializados" não por questão de funcionalidade, mas por puro sensacionalismo.

Jaime Lerner carrega a imagem de "urbanista progressista", mas não é mais do que um "filhote" da ditadura militar. Lerner foi político lançado pela ARENA (o partido que comandava a ditadura) e foi prefeito biônico (nomeado pelos generais) de Curitiba.

Lerner formou-se pela Universidade Federal do Paraná quando seu reitor era Flávio Suplicy de Lacerda, que depois foi nomeado pelo general Castelo Branco ministro da Educação. Flávio tornou-se conhecido por adotar medidas impopulares que causaram a revolta do movimento estudantil que se tornaram história.

O ex-reitor da UFPR, na condição de ministro da Educação do governo Castelo Branco, quis propor, entre outras coisas, a privatização do ensino superior público e a criação de uma entidade estudantil substituta da UNE e vinculada ao governo militar. Flávio também foi o ministro que estabeleceu acordos do MEC com a USAID, agência de investimentos do governo dos EUA.

Tal mestre, tal discípulo. Contrariando a imagem de "progressista", o Jaime Lerner que mostrava as avenidas dos sonhos em planilhas, maquetes e ilustrações era, fora do âmbito da "mobilidade", um privatista doentio, explorador das classes trabalhadoras, político corrupto e associado a medidas impopulares que degradaram o serviço público no Paraná.

Além disso, seu projeto de transporte coletivo causou mais prejuízos do que acertos, coisa que nem mesmo Carlos Lacerda, o abertamente reacionário jornalista e ex-governador da Guanabara. Lacerda havia criado um sistema de ônibus mais coerente e funcional do que Jaime Lerner, que ainda por cima foi recentemente condenado por improbidade administrativa.

Poucas pessoas entendem o porquê do projeto de Jaime Lerner ser tão antiquado. Mas os acidentes de ônibus, as pessoas pegando ônibus errados por conta da pintura padronizada, as populações protestando contra corredores exclusivos, tudo isso mostra o quanto o projeto tecnocrático só faz sentido mesmo em maquetes, desenhos e gráficos. 

A realidade é muito mais cruel do que a fantasia lançada em computadores instalados em escritórios refrigerados.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

CARLOS ROBERTO OSÓRIO MANDA PASSAGEIROS "PESQUISAREM" ITINERÁRIOS DE LINHAS

O povo que se vire. É assim que disse, apenas em tom mais cordial, o secretário de Transportes do município do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, na reportagem de hoje do Bom Dia Brasil sobre a confusão no sistema de ônibus carioca por causa das mudanças nos trânsitos do Centro.

Osório disse para os passageiros "pesquisarem" os novos itinerários, já que a Prefeitura nem está aí para prestar qualquer tipo de satisfação aos passageiros, que já têm que diferir uma empresa de outra dentro da mesmice da pintura padronizada.

Sobre os problemas do transporte coletivo, Osório tenta livrar a atual prefeitura do ônus da situação, ao dizer que os mesmos são "antigos". Como se, antes de 2010, o sistema de ônibus já mostrasse uma piora que só se nota nos últimos quatro anos.

A verdade é que, antes de 2010, o sistema de ônibus do Rio de Janeiro pode até não ser a oitava maravilha do mundo, mas tinha melhor qualidade em relação a hoje e era referência para todo o país. Havia maior transparência graças à diversidade visual que facilitava os passageiros identificarem uma empresa de ônibus, além de haver maior conforto, maior cuidado com as frotas e por aí vai.

Se a situação não era perfeita antes, hoje é desastrosa. E os passageiros é que pagam caro, confusos na hora de pegar ônibus, sem saber que empresa vão pegar, que itinerário vão seguir, que ponto vão ter que ir para pegar determinada linha. O povo que se vire? Talvez. Mas, do jeito que é a gestão do prefeito Eduardo Paes, para ele e sua equipe, o povo que se dane!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ÔNIBUS DE NITERÓI JÁ SE ENCONTRAM DANIFICADOS

Os ônibus de Niterói, depois da imposição da pintura padronizada que vincula as empresas de ônibus à imagem da Prefeitura Municipal, já pioraram de vez. Circulando com lataria amassada e balançando a estrutura, os ônibus também apresentam perfurações e arranhões, sendo que a Auto Ônibus Brasília é a que tem pior desempenho.

Mesmo assim, todas as empresas apresentam carros danificados, inclusive com menos de cinco anos de fabricação. Pendotiba, Ingá, Miramar também se destacam no infeliz quadro. Mas aqui os exemplos apresentados são da Santo Antônio Transportes (CAIO Apache VIP II) e da Expresso Barreto (Mascarello Gran Midi), que mostram arranhões sérios na lataria.


sábado, 25 de janeiro de 2014

ATÉ AGORA, NINGUÉM VEIO DEFENDER DE FORMA CONVINCENTE A PINTURA PADRONIZADA

Uma coisa é certa. Quando algo incoerente e sem motivo lógico para existir é defendido, sempre é com argumentos frouxos e subjetivos.

Essa mania de uniformizar frotas, dando destaque a logos de prefeitura e escondendo ao máximo a identificação de empresas tem piorado bastante o transporte, pois, do contrário que seus defensores pensam, a mania de prefeituras imporem suas marcas nas pinturas de ônibus tem muito a ver com o desejo de prefeitos e secretários de transporte de aumentar seu poder nos sistemas que gerenciam.

As prefeituras só podem definir as linhas e o tipo de ônibus que devem estar nas linhas. O resto fica a cargo das empresas que financiam a aquisição e o funcionamento dos ônibus, além de conhecer diretamente seu cotidiano, algo que está muito longe do conhecimento de prefeitos e secretários de transporte.

O poder público já provou em inúmeras oportunidades que é incompetente para gerenciar qualquer sistema de transporte como se fosse dono do sistema. Empresas públicas de transporte sempre foram um desastre e faliram todas, sem exceção, na mais absoluta crise.

Não encontramos nenhum texto ou comentário convincente que prove que este fardamento de ônibus seja necessário ou vantajoso. E nem vai haver, pois observando com atenção, não existe nenhum motivo plausível para que a pintura padronizada, feita apenas para interesse exclusivo de prefeituras e de seus membros, possa ser justificada com bom senso. 

Mas aí vem algum defensor da pintura padronizada dizer que a pintura serve para "organizar" o sistema. Pergunto pra quê fazer licitações se a identidade das operadoras vencedoras das mesmas não podem ser facilmente identificadas pela população.

E vem outro dizendo que as pinturas padronizadas nada tem a ver com o poedrio de prefeituras e que é um "benefício estético". Vai catar coquinho!

O que o bom senso e a lógica provam é que não existe vantagem em colocar farda em ônibus. Empresas devem ser facilmente identificadas para que a população, descrente com autoridades possam também fiscalizar a qualidade do transporte, não dependendo de autoridades corruptas como intermediários para qualquer reclamação ou solicitação.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PRESSÃO POR HORÁRIO FAZ ÔNIBUS ULTRAPASSAR O SINAL NO RJ

O que é a pressão pelo cumprimento demasiado rigoroso de horários dos ônibus.

Ontem à tarde, no cruzamento da Av. Rio Branco com as ruas Evaristo da Veiga e Araújo Porto Alegre, no centro do Rio de Janeiro, um ônibus carro A72056 da Transurb tentou ultrapassar o sinal vermelho. O ônibus circulava na linha 010 Fátima / Central.

O incidente ocorreu nas proximidades da Cinelândia e da Praça Floriano, onde fica a Câmara Municipal, palco de muitas revoltas contra o sistema de ônibus que deram na tentativa de uma CPI dos Ônibus, no ano passado.

O ônibus já passava pela faixa de pedestres, quando o sinal se fechava para os carros. Sem poder passar para o quarteirão da Cinelândia, o ônibus tentou uma marcha-a-ré, sem sucesso, já que os carros já se posicionavam no limite do trecho da Av. Rio Branco.

Pode parecer irresponsabilidade do motorista, mas a verdade é que os motoristas é que sofrem a pressão violenta pelo cumprimento de horário, numa cidade marcada por intensos congestionamentos principalmente na área do Centro. Portanto, combinar cumprimento de horário com trânsito difícil é que causam excessos desse tipo, fora os acidentes que ferem e até matam pessoas.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

ARACAJU A UM PASSO DE ENCERRAR A PINTURA PADRONIZADA NOS ÔNIBUS

O sistema de ônibus de Aracaju, na contramão dos modismos tecnocratas das capitais brasileiras, está a um passo de dar fim à pintura padronizada, medida remanescente da ditadura militar que, através da franquia do arquiteto Jaime Lerner - que havia sido prefeito de Curitiba quando implantou a medida, em 1974 - , tornou-se o carro-chefe de muitos governos municipais.

Depois da entrada da Viação Atalaia, com sua pintura personalizada levemente inspirada no serviço SIT de Recife - que não adota pintura padronizada, apenas lança uma pintura própria do serviço integrado SIT, a exemplo dos antigos Metrô-Ônibus do Rio de Janeiro e do Grande Circular de Salvador, apenas parcialmente adotado pelas empresas envolvidas - , duas outras empresas se empenham em desenvolver identidades próprias.

As empresas Capital e Modelo (não confundir com as homônimas soteropolitanas), do grupo cearense Fretcar, estão lançando um concurso para criar novas pinturas, com a disposição de criarem novas identidades visuais.
LOGOTIPOS DAS EMPRESAS DE ARACAJU, QUE LANÇAM CONCURSO PARA NOVAS PINTURAS PERSONALIZADAS.

As novidades apontam uma tendência de Aracaju encerrar a pintura padronizada, mesmo quando ela adota um critério menos confuso, que é o de diferenciar as cores por cada empresa, como já ocorreu em Florianópolis, ainda ocorre em São José do Rio Preto e São José dos Campos (ambos do interior paulista) e será implantado em Vitória da Conquista, no interior da Bahia.

Falando em Florianópolis, cabe destacar que a capital catarinense foi a primeira a abolir a pintura padronizada em todo o Brasil, além de romper com o tabu de que não se pode adquirir ônibus articulados ou de piso baixo sem abrir mão da pintura padronizada.

Portanto, é uma modesta capital do Nordeste que poderá trazer os novos ventos que poderão transformar os paradigmas de mobilidade urbana e transporte coletivo ainda vigentes, marcados por muito sensacionalismo e pouca funcionalidade.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

PINTURA PADRONIZADA DIFICULTA IDENTIFICAR IMAGEM DE ÔNIBUS ENVOLVIDO EM ACIDENTE COM ATRIZ DA GLOBO


A atriz Mariana Cortines, que havia participado do seriado Malhação, da Rede Globo, e estava no elenco de uma peça de teatro, sofreu ontem um grave acidente de carro quando estava na carona com amigos numa rua da Gávea, na Zona Sul do Rio.

O acidente ocorreu quando um ônibus avançou sobre o carro. O ônibus, cuja empresa não foi identificada pela imprensa, teria avançado o sinal de trânsito. Mariana sofreu traumatismo craniano e corte no fêmur, e havia realizado cirurgia depois que foi internada, em estado grave.

Numa pesquisa na Internet, chegou-se à foto do ônibus que se envolveu no acidente que deixou gravemente ferida a atriz Mariana Cortines, que fez parte do elenco do seriado Malhação, da Rede Globo de Televisão.

O ônibus é da Marcopolo Torino 2007, num comprimento semi-curto, e há três palpites sobre a empresa que teria sido, já que ela não foi creditada nas reportagens pesquisadas: Real Auto Ônibus, Auto Viação Alpha e Empresa de Transportes Braso Lisboa.

A resolução da imagem não foi suficiente, ainda, para identificar o código numérico da empresa. Daí a grande dificuldade de reconhecer uma empresa, com a pintura padronizada.